sábado, 4 de outubro de 2014

Crônica de viagem nº 1

    Às vezes me pergunto sobre essa tendência humana à comparação A maioria das vezes estamos comparando; o namorado atual com o anterior, a mãe da amiga com a nossa, o corpinho dos 18 com o de 30. Essa frequente atividade de dar peso, valor, medida e tamanho parece estar mais presente quando saímos da zona de conforto e encontramos uma realidade que difere da que conhecemos, daquela que estávamos habituados. É semelhante à mecânica mental de apreensão do conhecimento “aprende uma coisa” soma outra “coisa” e tende a estabelecer uma síntese.
   As viagens são bons momentos para perceber esse movimento, seja uma viagem pra outro país, onde nos encontramos com hábitos, pessoas e culturas que são, muitas vezes, diametralmente opostas à nossa, ou uma viagem pra conhecer os primos do interior que falam “emendão” ao invés de “feriado prolongado”.
   Esse choque de realidades é com certeza uma grande experiência, possibilita admitir ser outra pessoa, reinventar-se, repensar os hábitos, os valores e os conceitos (esses que tantas e tantas vezes nos são empurrados goela abaixo).
    O perigo de toda essa comparação é quando a gente se mete a achar que tem coisas melhores e coisas piores. O que existe é coisas que são melhores ou piores para um e outro indivíduo, isso se relaciona às características individuais de cada ser humano e à suas escolhas, mas não significa que é tudo mal ou tudo bom, é tipo o ying yang oriental.
   Algumas vezes quando a gente se fecha nos nossos dogmas petrificados e espalha carimbos de certo e errado, bom e mau, perde a oportunidade de aprender coisas novas. Rotular uma cultura é bem mais fácil que compreendê-la e aprender com ela, mas na minha opinião essas duas últimas são bem mais proveitosas.

Um comentário: